Rádio ouve-se no carro. De certeza? Nunca tive carro e sempre ouvi muita rádio. Em casa, enquanto estudava estudar, no trabalho, para adormecer. Quando era mais novo, muitas noites deitei-me eu com o Oceano Pacífico; metia um temporizador no rádio, e aquilo desligava-se ao fim de algum tempo, quando eu já estava noutro mundo. Há alguns meses decidi recuperar esse hábito que tinha de adormecer com rádio, desta feita com os programas nocturnos da Antena 3.

Sempre gostei muito de rádio, em particular da Antena 3. É um bom barómetro do que se passa na música nacional e não só; ficamos a par dos lançamentos de discos, das músicas novas, dos concertos que aí vêem, dos artistas que estão a surgir, etc. Apesar de ter uma playlist às vezes demasiado repetitiva, a Antena 3 pode ser uma boa companhia durante um dia de trabalho; e não todos os dias porque sim, a mesma playlist todos os dias é uma seca. As rubricas ao longo da emissão dão-lhe outro sabor: adoro a Linha Avançada, mesmo não gostando de futebol; gosto muito também do Domínio Público, é uma excelente revista-áudio.

De noite não há playlist. Nem rubricas. Os programas de autor tomam conta da Antena 3 e há programas muito bons na grelha – cada noite é uma noite diferente. Sempre que consigo procuro deitar-me cedo para acordar cedo, pelo que acabo por apanhar sobretudo os programas das 23 e/ou da meia-noite – e às vezes os finais dos das 22. Ou seja, costumo apanhar isto:

Independentemente do que esteja a dar, sabe bem. É como ouvir um podcast antes de adormecer. Às vezes há mais música, outras vezes é mais conversa. Gosto dessa imprevisibilidade e gosto igualmente da imprevisibilidade que os próprios programas oferecem.

Não sei se há por aí mais alguém com o mesmo hábito de ouvir rádio para adormecer, o que é certo é que tenho achado uma cena bem relaxante.