mruiandre Mário, todavia, Rui, contudo, André

Afonso Reis Cabral, EN2

Afonso Reis Cabral – o escritor português de 29 anos que ainda há bem pouco tempo arrecadou o Prémio Literário José Saramago – foi fazer a Estrada Nacional 2 a pé; quase 739 quilómetros. Este livro é uma deliciosa e bonita descrição das peripécias dessa aventura, dos diferentes “Portugais” que Afonso encontrou e de um processo de auto-descoberta. É um livro curto e simples, que se lê muito bem e que, quiçá, um dia, me inspirará a fazer um desafio do género.

“O apelo físico juntou-se ao desejo analógico. Os corpos da minha geração têm partes digitais. A ponta dos dedos diluída nos puxeis dos ecrãs. Certo córtex cerebral que só sente prazer com algoritmos. Não me oponho às nossas inteligências artificiais, porém senti-me atraído por uma experiência mais vital. Genuína por não depender de monitores. Os olhos contemplando sem filtros, as pernas andando apenas por andar.”

Afonso Reis Cabral

“Em Portugal, onde basta abrirmos os braços para tocarmos com a ponta dos dedos no Cabo da Roca e em Elvas, qualquer caminho para o mar é demasiado curto. Com a ajuda do vento, certa vez alguém cheirou a Marisa em Castelo Branco. De Bragança, nos dias mais transparentes, puxando muito pelos olhos, avistamos o azul ao largo de Viana do Castelo. E Lisboa é só mar, ainda que o mar seja só rio. Talvez o País, qual navio ancestral, tenha atracado para sempre neste nosso pequeno sítio.”

Afonso Reis Cabral
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