mruiandre Mário, todavia, Rui, contudo, André

Sobre o PAN vs. PSD

Com Os Verdes colados ao/na sombra do PCP, o PAN é o único partido português capaz de colocar os temas do ambiente e dos animais na grande agenda mediática. E o debate de ontem na RTP – o único destas legislativas que tive pachorra de ver – não foi importante pelo PAN, foi importante pelo PSD e por todos os outros partidos grandes e pré-estabelecidos no panorama político português.

O PAN tornou-se um partido-tema, que “persegue” o tópico dos Animais e da Natureza, e um partido-piada, do qual é fácil de fazer troça. Porque a comunicação social gosta de títulos cativantes e que puxem cliques, o PAN é um partido que goza facilmente de atenção. Porque lá está, também não está “escondido” atrás de outro partido e porque o nome diz logo ao que vem – é o “Partido Pessoas-Animais-Natureza”.

Apesar de na sua agenda política o PAN ter outros assuntos, alternando muitas vezes entre a esquerda e a direita – com algumas ideias questionáveis –, no debate com o PSD falou-se somente de ambiente e ficou provado que partidos como o de Rui Rio não estão minimamente preparados para enfrentar toda esta problemática das alterações climáticas. André Silva tirou Rio da zona de conforto; fez-lhe perguntas às quais o seu adversário não soube ripostar e lançou propostas que ridicularizaram as ideias do PSD. André Silva não foi o deputado e candidato do PAN ali; tropeçando-se por vezes no seu próprio discurso (estava frente-a-frente com um pequeno “tubarão” político, com anos e anos “daquilo”), foi um defensor do Planeta a questionar o statu quo do “Dr.” Rui Rio.

Não alinho com o PAN, mas este debate mostrou que os “partidos do costume” não vão salvar o planeta – não vão reduzir o automóvel privado e investir a sério no transporte colectivo; não irão tomar decisões duras para travar crimes ambientais como o do Aeroporto do Montijo (Rui Rio acha, por exemplo, um aeroporto em Beja ridículo por ser uma cidade distante de Lisboa quando inúmeras capitais têm aeroportos a distâncias como a de Lisboa a Beja); e apoiam projectos como os dos furos de petróleo (os contratos foram assinados no tempo do PSD-CDS e mantidos no geral pelo PS).

Não se quer o PAN no Governo, mas estando representado na Assembleia da República torna o processo democrático mais diversificado; afinal de contas, é bom termos novas vozes e vozes diferentes, que “puxem a brasa à sua sardinha” e coloquem ideias diferentes na agenda diária. Diversificam-se, assim, as discussões políticas, que passam a ir além da estagnação e do “arroz mais do mesmo” que “os do costume”, comprometidos com os lobbys e o entendimento capitalista do mundo, promovem – isto num país que historicamente alterna entre governações de PS e de PSD.

Nesta legislatura passámos, por exemplo, a ter opções vegetarianas nas cantinas públicas, apoios à aquisição de bicicletas eléctricas (como já existiam para carros e motas) ou a proibição de atirar beatas para o chão (afinal de contas, são lixo). O PAN pressionou, Os Verdes ajudaram, o Bloco está agora a fazer das alterações climáticas uma das suas bandeiras legislativas. Vamos ver como é que estas forças políticas, alternativas, contrariam os poderes instituídos nos próximos quatro anos.

Bem precisamos disso. Afinal de contas, a maior mudança pelo clima que Rui Rio fez foi vir do Porto para Lisboa de carro próprio e parar (em segunda fila?) num Multibanco para comprar uma caldeira mais moderna “que produz menos monóxido de carbono” – e mostrar orgulhosamente essa factura no debate; já André Silva não tem carro e anda de transportes públicos. Comboio para Lisboa, não? Rui Rio?

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