mruiandre Mário, todavia, Rui, contudo, André

Porquê um blogue em 2019

Há 10 anos não havia Instagram. Criava eu uma conta no Facebook para jogar Mafia Wars e outra no Twitter por curiosidade. Ainda se usava Hi5 e MSN. No YouTube viam-se fails, vídeos engraçados com animais, auto-tunes e o Ray William Johnson. E escrevia-se em blogues.

A internet mudou muito desde então. O Hi5 tornou-se obsoleto e o MSN desapareceu. O Twitter e YouTube amadureceram (e, hoje, youtuber pode ser uma profissão bem paga). O Facebook cresceu, comprou o Instagram, e fê-lo crescer. E os blogues? Trocámo-los por essas novas plataformas.

Uma internet fácil

As redes sociais deram a cada um de nós uma interface simples para publicar e construir uma audiência. Mas deram-nos isso com um grande senão: não nos dão controlo sobre o conteúdo que carregamos, mas antes a ilusão de que o temos. São os seus algoritmos que definem quem vê o quê e quando vê; e há regras sobre o que se pode ou não partilhar.

Além disto, as redes sociais acentuam um universo digital centralizado em três ou quatro grandes tecnológicas. Empresas demasiado preocupadas com o seu próprio umbigo, que fecham as suas plataformas em ecossistemas cada vez mais polidos, de modo a que quem esteja dentro não consiga sair e quem esteja de fora não consiga entrar sem criar uma conta.

Há mais: as redes sociais provocam-nos adição, aquele scroll constante no feed, todos os dias, várias vezes por dia. São uma distracção e uma fonte de distracções. Levam-nos a dar atenção a assuntos menores ou sem importância, a comentar o que os outros estão a comentar, a ver o que é viral ou polémico porque é isso que sobressai nos feedse essa primazia pelo que é popular nem sempre dá justa relevância na distribuição a conteúdos bons, que precisem de tempo para ser degustados.

Não digo que as redes sociais não tenham aspectos positivos, mas essas partes boas são benefícios que a internet nos dá – não são particularidades dessas plataformas. As redes sociais são meros facilitadores e as empresas que as gerem pedem-nos demasiado.

Reviver a blogosfera

Os blogues são espaços com calma e tempo de reflexão; são espaços que nós controlamos – por isso, descentralizados – e que podemos personalizar ao nosso gosto. No nosso blogue não temos um feed a provocar-nos reacções a quente, nem elementos de feedback rápido como gostos ou corações – há tempo para escrever, ler, pensar, comentar. E caraças, o quão valioso deve ser haver tempo! Quem tiver interesse em seguir o blogue, pode visitá-lo de vez em quando ou adicioná-lo ao seu feed RSS.

O RSS é a forma mais universal que existe para subscrever conteúdo online. É mais trabalhoso porque temos de estar a cuidar do nosso feed RSS, mas a inexistência de algoritmos que filtram conteúdo e o organizam por nós – segundo regras que nem sempre compreendemos – é uma vantagem que vamos aprendendo a valorizar. Serviços como o Feedly tornam o RSS bastante simples de usar e acessível em qualquer lugar/dispositivo. O RSS é o melhor amigo da blogosfera, é a melhor forma para acompanhar os blogues, os sites, os podcasts, os canais de vídeos… de que gostamos..

Ora, porquê um blogue em 2019? Por uma internet com tempo para escrever e pensar, por uma internet menos agitada por polémicas, mais humilde. Por uma internet menos centralizada em plataformas que sugam dados a torto e a direito, e nos fecham cada vez mais nos seus ecossistemas – mundos onde algoritmos definem o que vemos e o que podemos partilhar. E podia ter criado um podcast ou um canal de YouTube, mas é a escrever que melhor me entendo.

Meio termo

Não vou sair das redes sociais, mas elas passaram para segundo plano desde que criei este blogue. É aqui que coloco tudo em primeiro lugar, sendo as plataformas sociais meros distribuidores. Já fui uma pessoa de usar todas as redes sociais. Dado o stress constante que sentia ao gerir todas, decidi reduzir e focar-me em duas. O Twitter é a minha rede principal e a minha preferida; é boa para conversar, pois consegue-se chegar a nichos, a quem quer falar sobre um assunto específico, e a plataforma é moldável o suficiente para se conseguir “partilhar conteúdo” da maneira que queremos.

Por outro lado, acho que isto das redes sociais não é para todos; e se o Facebook é quase uma lista de contactos, o Twitter não é uma rede social onde se está por obrigação – é uma rede social onde só está quem quer estar numa rede social. No Instagram tem-se o mesmo feeling – só usa quem quer e aí consigo chegar a mais público, que não está no Twitter mas que também não está só lá porque está a falar no chat ou a responder em grupos.

Assim, tenciono ficar com Twitter + Instagram + blogue. Uso o RSS para seguir conteúdo que me interessa, o Telegram como app de chat preferencial e o e-mail para newsletters, trabalho, etc. De vez em quando publico uns clips no YouTube; vou partilhando fotos regularmente no Unsplash, permitindo que outros possam usá-las nos seus projectos; quero ir lendo alguns artigos no Medium, inspirar-me com TED Talks. Há uma net demasiado fixe para se perder tempo a alimentar feeds de redes sociais.

Por último, o blogue vai ser o sítio onde procurarei descarregar os pensamentos e frustrações, e espero que ao fazer isso aqui e não no Twitter consiga publicar com mais substância e qualidade. E é bom ter algo que todos possam ler e comentar, sem conta/registo.

mruiandre Mário, todavia, Rui, contudo, André

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