mruiandre Mário, todavia, Rui, contudo, André

Caldas

Não sei como são as Caldas da Rainha além do Impulso. Mas quando lá estive este fim-de-semana fiquei com a impressão de uma cidade, cheia de vida, carregada de oferta cultural e de jovens. As Caldas, escrevia eu no Twitter, provam que a descentralização é possível.

O tweet em questão teve várias respostas. Alguns parecem ter concordado com o botão de “gosto”; e recebi respostas como estas:

A ESAD.CR faz a diferença….

Nunca cá tinha estado, vim pelo Impulso, e estou a adorar a cidade.

Mas também recebi respostas como estas:

Caldas é incrível! Mas, por causa do impulso, apanhaste uns dias que não correspondem à realidade. Em 80% do ano é um deserto.

Os silos funcionam quase só como oficinas alugadas, maioritariamente a pessoal que tem projectos de cerâmica ou semelhantes. É difícil criar vida nocturna. Mesmo quando acontecem eventos, há pouca aderência, eu acho que a vibe mudou. Só arrebita nesta semana.

Eu também sou das Caldas e tenho a mesma percepção. Vida nocturna pobre. No final dos anos 1990 e princípio dos 2000, íamos várias vezes para fora do centro das Caldas. Mas quem conheço e andou na ESAD (ex ESTGAD) tem uma visão diferente.

Tendo em conta que sou de cá mas não andei na ESAD (não participei na vida académica sem ser o CLN), para sair à noite só tens a praça com alguns cafés/bares. Não passa por muito mais. Gosto muito da minha cidade, mas não acho que tenha muita vida no dia-a-dia. Eu não noto muito a presença da ESAD sem ser durante o Caldas Late Night! Não duvido que tenha mais vida que uma cidade de interior mas também não acho que ver uma cidade durante um evento equivalha à realidade diária da mesma – e, por um lado, ainda bem!

É giro como cada pessoa tem uma percepção diferente da mesma cidade, do mesmo espaço. Já estive nas Caldas algumas vezes noutro contexto que não sozinho e num festival de música: fui lá muitos fins-de-semana com os meus pais ao Mercado da Fruta, que ainda hoje se realiza, reunindo na praça central da cidade cheiros e sabores fantásticos. Lembro-me também de passear nas ruas e naquele jardim central gigante. É claro que as memórias que guardo das Caldas desvanecem ao longo do tempo, mas a minha atenção na altura estaria nas coisas que movem um pequeno miúdo.

Eu gosto das Caldas. Sempre ouvi maravilhas da Escola Superior de Design (ESAD) de lá; e saber que os seus alunos são capazes de montar com a ajuda dos seus professores dois grandes eventos, únicos no país – o Festival Impulso e o Caldas Late Night – é sinal de que são malta com garra e vontade. Isso é bom.

Não acredito que as Caldas sejam uma cidade morta além desses eventos, até porque esses jovens estão lá praticamente o ano inteiro. As Caldas que encontrei pareceram-me uma cidade completa. Havia um pequeno centro comercial com as “lojas das grandes cidades” e um cinema; havia bastante comércio na rua que não foi sugado por esse shopping e sem mantém de pé; haviam restaurantes distintos e variados, incluindo um de “comida saudável”. A cidade não era muito grande nem muito pequena, parecendo ter o “tamanho certo” como tem o Porto – e respirar a mesma vibe criativa que se sente lá em cima na Invicta.

Não sei. Estas são as minhas notas sobre as Caldas. Sobre o Impulso, falaremos em breve.

mruiandre Mário, todavia, Rui, contudo, André

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