mruiandre Mário Rui André

Linha do Vouga

A Linha do Vouga podia ser caso de estudo. Os comboios são velhos e às vezes estão cobertos de grafites, mas esse é o mal menor. É que esta linha está cortada a meio. Dá para ir de Aveiro a Sernada do Vouga, e de Espinho a Oliveira de Azeméis, mas não dá para fazer o percurso entre Sernada e Oliveira. É como se existisse um muro a separar dois lados da linha e a obrigar quem queira ir de São João da Madeira a Águeda a dar uma volta do caraças por Espinho e Aveiro.

O “muro” da Linha do Vouga existe desde 2013, quando a CP decidiu substituir o comboio entre Sernada e Oliveira por um serviço de… táxi que só funciona duas vezes por dia: um para lá e outro para cá. Justificação da CP: a segurança dos passageiros devido à degradação da via férrea. E mais vale cortar que recuperar, não é? Já antes, em 1990, a Linha do Vouga tinha deixado de ligar a Viseu; toda uma região que ficou assim sem ligação ferroviária, ou seja, sem ligação de transporte público ao resto do país.

Mesmo deteriorada, mesmo com menos comboios e comboios mais lentos, mesmo com estações degradadas ou meio abandonadas, a Linha do Vouga continua a servir o distrito de Aveiro, onde vivem cerca de 714,2 mil pessoas. Vê-se muitos miúdos a usá-la para ir para a escola e regressar a casa; e sente-se uma familiaridade peculiar entre os outros passageiros. Claro que já houve planos para converter a Linha do Vouga num metro de superfície. Em Coimbra, a intenção de criar o Metro do Mondego acabou por ditar o fim da ligação à Lousã; não aconteceu porque se percebeu que seria caríssimo. Quanto à Linha do Vouga, deverá continuar cortada a meio e deteriorada.

mruiandre Mário Rui André

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