mruiandre Mário Rui André

Igrejas e concertos

Com séculos e séculos de história, a Igreja Católica é uma instituição que, como outras, está em parte presa ao passado, isto apesar de o Papa Francisco lhe ter conferido uma dinâmica nova e mais viva. A Igreja deixou no país e no mundo um património vasto e riquíssimo, fruto do papel que teve na vivência social ao longo de bastante tempo. Património esse que precisa de ser preservado e que merece ser conhecido, visitado, dinamizado. Ao restringir esses edifícios ao culto religioso está-se a restringir também o número de pessoas que deles podem usufruir. O turismo e a cultura podem ser, nessa lógica, agentes dinamizadores do património, mantendo-o aberto ao público e proporcionando motivos para uma ou duas visitas. Sem o BONS SONS a Igreja de São Sebastião seria apenas mais uma entre muitas no país, lembrada apenas pelos fiéis. Sem um palco naquela igreja, os festivaleiros que iriam a Cem Soldos possivelmente encontrariam uma porta fechada e não iriam descobrir a arquitectura e a arte, por mais simples e rudimentar que seja, escondida naquele edifício pintado de branco e amarelo.

Em Beja, a acústica que muitas igrejas e capelas proporcionam não se comprara à de outros espaços, nomeadamente no que toca a um concerto de orquestra, de piano ou de outro instrumento(s) que compõem a dita música clássica ou sacra. Abrindo as igrejas ao Terras Sem Sombra está-se a abrir esses monumentos também ao público que, de outra forma, não iria visitá-los. Igrejas fechadas ou fechadas ao turismo ou à cultura são igrejas ameaçadas pela deteorização, num país com cada vez menos devotos. A Igreja Católica deve envolver-se na sociedade e não fechar-se a ela.

Texto completo no Shifter.

mruiandre Mário Rui André

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