mruiandre Mário Rui André

O embrulho miserável

Fico pasmado com algumas das colunas de opinião que se publicam nos jornais. O Rafael Barbosa é editor executivo do Jornal de Notícias e, no seu último texto, “alerta para os níveis de pobreza no país, criticando a falta de atenção dos políticos para com este fenómeno”.

Tudo bem até aqui. A questão é que, para ele, pobreza é uma mãe levar o filho à escola de bicicleta, numa manhã de chuva, sendo que os dois circulavam cobertos por um plástico impermeável. Noutros países, é uma situação perfeitamente normal. Para o Rafael, é sinal de pobreza.

Para o Rafael, todas as mães e pais devem levar os filhos “no carro, confortável, aquecido e seco”, como ele faz com o seu Vasco. Porque ir de bicicleta ou, quiçá, de transportes público é ser-se pobre.

Este texto é miserável. É uma opinião retrógrada que um órgão de comunicação social como o Jornal de Notícias não deveria deixar publicar. Diariamente, em Lisboa, noto em cada vez mais pais a transportar crianças de bicicleta, seja em cadeirinhas ou nas chamadas cargo-bikes.

Em dias de chuva, é expectável que o tráfego de bicicletas diminua, acontece nas cidades onde a bicicleta é comum, acontece também em Lisboa. Mas, mesmo assim, vêem-se ciclistas na rua (da mesma forma que se vêem motas), protegidos por capas impermeáveis.

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Mário Rui André

Co-Fundador e Director Operacional do Shifter