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A vida entre edifícios: pensar as cidades para as pessoas

O grande auditório do ISCTE encheu-se para ouvir Jan Gehl, arquitecto dinamarquês que tem dedicado a sua vida a pensar o espaço urbano e as cidades pondo as pessoas em primeiro lugar. O pretexto: A Vida Entre Edifícios, o livro que publicou originalmente em 1971 e que foi sendo completado ao longo dos últimos anos, à medida que foi sendo traduzido e publicado em várias línguas (mais de 30 até hoje). A versão portuguesa chegou agora, traduzido por Tiago Mesquita Carvalho e editado pela Tigre de Papel, uma livraria "alternativa" nos Anjos, em Lisboa, com o apoio do ISCTE.

Durante cerca de uma hora, Jan Gehl defendeu que o planeamento das cidades deve colocar as pessoas em primeiro lugar, criando espaços vivos e que podem ser vividos, apostando no transporte público e conjugando este com outras opções de mobilidade, como a bicicleta.

Para Gehl, nas últimas décadas as grandes metrópoles foram definidas pelo modernismo e pelo automobilismo, dois paradigmas associados a uma época de prospeção económica, de produção de edifícios em massa e de avenidas largas. O arquitecto deu como exemplo do modernismo as praças amplas mas vazias, que servem de meros locais de passagem uma vez que não acontece nada nelas; ou o mobiliário urbano colocado no meio de pracetas quando, instintivamente, as pessoas gostam de sentar junto às paredes ou em cantos de edifícios, porque estão recolhidas e sentem que não estão a importunar. Gehl acrescentou que a importância dada aos carros pelos planeadores urbanos é tal que existem sempre estatísticas de como estes circulam e não sobre o modo como a cidade é utilizada pelas pessoas. Defendendo o transporte público, o arquitecto disse que o automóvel não é um modo muito inteligente de transporte, mostrando dados que mostram que as pessoas estão a conduzir menos e prevendo que no futuro ter carta de condução não será algo tão relevante para aquelas gerações como o é para as actuais.

O arquitecto apresentou o exemplo de Copenhaga como uma cidade cujas políticas ao longo de 50 anos priorizaram as pessoas, dizendo que a capital dinamarquesa foi pioneira ao tirar os carros da rua principal em 1962. E colocou o Dubai como o exemplo a não seguir – uma cidade que simboliza o modernismo e o automobilismo, mas tardio. A escolha, diz o arquitecto, deve ser entre fazer as pessoas felizes ou os automóveis felizes.

No fundo, o arquitecto dinamarquês prioritiza a vida entre os edifícios e não os edifícios em si – o espaço público, os trajectos pedonais, as actividades recreativas… Uma cidade que privilegie as pessoas, o andar a pé ou circular de bicicleta, o passar mais tempo no espaço público. Uma cidade saudável e sustentável, e não sedentária.

Durante a sua apresentação no ISCTE, Jan Gehl traçou uma linha entre as edições de A Vida Entre Edifícios no ano de 2000 para lançar a suspeita de uma possível mudança na forma de olhar e pensar a cidade – é que depois desse ano, as traduções e edições do seu livro aumentaram substancialmente. "As pessoas já estão cansadas do modernismo e do automobilismo", disse. Mostrando sempre uma boa disposição em palco, Gehl destacou uma palestra TED de Peter Newman, "número um em sustentabilidade".

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