mruiandre Mário Rui André

Pixels Camp: uma aula sobre blockchain

Na semana passada estive no Pixels Camp e escrevi sobre ele aqui, no Shifter.

Entramos no Pixels Camp e imediatamente sentimo-nos num episódio de Silicon Valley, a série da HBO que tão bem satiriza o ecossistema das start-ups e o mundo geek da tecnologia. Não há Holi e o o nome mais parecido com a Pied Pipper que conseguimos encontrar é Pipedrive, um dos patrocinadores do evento; mas depois de vermos a série é difícil não reparar que todos os clichês e particularidades que ela apresenta estão ali, à nossa volta.

O Pixels Camp não é só o maior hackathon em Portugal. É um evento muitíssimo bem organizado e o berço de ideias bem porreiras, como é o caso da HelpAR – uma app que nos dá informação relevante sobre os produtos de um supermercado pelo simples apontar da câmara do smartphone. Foi o projecto vencedor do hackathon.

Projectos do hackathon à parte, uma das partes mais fascinantes de todo o Pixels foi a sua moeda digital, a Exposure. Sim, este evento teve a sua própria criptomoeda, baseada em Ethereum, e o seu próprio mercado. Podem ler sobre isto aqui.

A Exposure é uma criptomoeda, isto é, uma moeda encriptada que é de todos mas ninguém consegue falsificar – pelo menos em teoria. Como todas as criptomoedas, é baseada em blockchain, um tipo de bases de dados descentralizadas e transparentes, que estão em constante actualização e que são gerida simultaneamente por milhares ou milhões de utilizadores (não estão concentradas nas mãos de apenas uma entidade e dos respectivos administradores). O blockchain é um conceito que, por agora, ganha forma de duas formas: Bitcoin e Ethereum. A primeira é uma moeda fechada, com regras estritas e que funciona de forma muito própria. A segunda é uma plataforma aberta, cuja tecnologia pode ser usada por qualquer pessoa para criar a sua moeda digital – uma espécie de “WordPress das criptomoedas”.

O Ethereum é, assim, a base da moeda do Pixels Camp. A Exposure assenta no ERC20, um protocolo específico desta tecnologia. Cada participante tem a sua carteira digital, que precisa de configurar antes de poder enchê-la de dinheiro, ganhando-o através de vários desafios espalhados pelo recinto. Essa carteira está protegida por uma chave secreta, uma espécie de código PIN (se quisermos utilizar o paralelo bancário), e tem uma chave pública, o IBAN que partilhamos com os outros para receber dinheiro (tem a forma de um código e pode ser simplificada num QR Code).

O Pixels Camp deu para aprender bastante sobre blockchain e as suas duas formas – Bitcoin e Ethereum – e também para usar pela primeira vez uma criptomoeda e perceber como ela pode ser palpável. O primeiro screenshot mostra o aspecto de uma carteira de Exposure (a interface foi desenvolvida pelo Pixels Camp para o evento). O segundo é um screenshot do mercado que decorreu no evento.

mruiandre Mário Rui André